Quanto tempo cada planta levou para consumir 1 litro de água? Resultados do experimento AutoRega
Neste experimento, acompanhei seis plantas em sistemas de AutoRega para comparar o tempo que cada sistema levou para esgotar 1 litro de água em dois ciclos.
A métrica principal foi o tempo até o sistema inteiro ficar sem água — ou seja, quando o PET e a bandeja estavam zerados. Um PET vazio, por si só, não significa que o litro acabou se ainda houver água na bandeja.
O experimento não mediu diretamente quanta água foi absorvida pela planta. O tempo até o esgotamento também pode ser influenciado por fatores como evaporação, retenção no substrato e eventuais perdas. Por isso, os resultados devem ser entendidos como o tempo de consumo do sistema, e não como uma medida exclusiva da água bebida pela planta.
As plantas acompanhadas
Foram avaliadas seis plantas, com diferenças de porte, vasos e características individuais:
- Planta 1: Ficus salicaria;
- Planta 2: Acerola;
- Planta 3: Ficus microcarpa;
- Planta 4: Bougainvillea Pink;
- Planta 5: Kinkan no vaso Air-Irado;
- Planta 6: Kinkan no vaso comercial.
Cada sistema começou com 1 litro de água em cada ciclo. No ciclo reiniciado, esse volume foi dividido entre o PET e a bandeja: 850 mililitros no PET e 150 mililitros na bandeja.
Primeiro ciclo: de 26 de agosto a 9 de setembro
O primeiro ciclo durou 14 dias. A Acerola foi a única planta, além da Kinkan no vaso Air-Irado, cujo PET e cuja bandeja chegaram a zero durante o período de acompanhamento. Para outras plantas, o tempo foi estimado proporcionalmente a partir do volume restante e do consumo médio observado.
O esgotamento da Acerola foi registrado em 5 de setembro, às 16h, o que corresponde a 9 dias e 4 horas após o início do ciclo.
Para a Kinkan no vaso Air-Irado, considero 14 dias como o tempo de consumo no primeiro ciclo. Esse resultado deve ser lido com ressalva, pois o PET amassado compromete a confiança na leitura.
Os tempos do Ficus salicaria, do Ficus microcarpa, da Bougainvillea Pink e da Kinkan no vaso comercial são estimativas proporcionais, não horários observados de esgotamento. Elas dependem da hipótese de que a taxa média de consumo se manteve.
Uma tentativa interrompida por chuva e goteira
Antes do ciclo reiniciado, houve uma primeira tentativa entre 9 e 14 de setembro. Ela foi interrompida porque chuva forte, vento e uma goteira sobre as Plantas 4 e 5 levaram água externa aos sistemas. Algumas bandejas também transbordaram.
Com a entrada de água externa, não era possível determinar quanto do litro inicial havia sido consumido nem calcular um tempo confiável de esgotamento. Por isso, essa tentativa não entra na comparação dos tempos.
Segundo ciclo: de 30 de setembro a 16 de outubro
No ciclo reiniciado, os sistemas foram limpos, as ervas daninhas foram removidas e as posições das plantas foram invertidas. Cada sistema começou novamente com 1 litro de água, distribuído entre o PET e a bandeja.
Como as leituras foram periódicas, os horários indicam quando o sistema foi observado sem água. O esgotamento real pode ter ocorrido entre a última observação com água e a primeira observação sem água.
A Acerola foi novamente a primeira a esgotar o sistema, em 9 de outubro, às 8h45. A Bougainvillea Pink foi registrada sem água em 14 de outubro, às 14h20. O Ficus salicaria e o Ficus microcarpa foram registrados sem água em 15 de outubro, às 8h15. As duas Kinkan foram registradas zeradas em 16 de outubro, às 9h30.
A leitura da Kinkan no vaso Air-Irado exige cautela: na observação anterior, ainda havia 50 mililitros no PET. Além disso, choveu na manhã do registro final, e não havia confirmação de que a goteira sobre as Plantas 4 e 5 tivesse sido eliminada. Essa planta também recebeu substrato adicional, o que limita a comparação direta entre os ciclos.
Comparação e tempo acumulado dos dois ciclos
A tabela a seguir soma o tempo atribuído a cada planta nos dois ciclos. Cada ciclo correspondeu a 1 litro de água disponibilizado; portanto, a coluna final representa o tempo acumulado para esgotar os 2 litros ao longo dos dois testes.
Da que consumiu os 2 litros mais rápido à que levou mais tempo
- Acerola: 18 dias, 3 horas e 15 minutos;
- Ficus salicaria: aproximadamente 29 dias e 11 horas;
- Bougainvillea Pink: aproximadamente 29 dias, 16 horas e 50 minutos;
- Kinkan no vaso Air-Irado: aproximadamente 30 dias, com ressalvas;
- Ficus microcarpa: aproximadamente 30 dias e 16 horas;
- Kinkan no vaso comercial: quase 32 dias.
Essa é uma comparação do tempo acumulado em dois ciclos separados, não do tempo corrido entre o início do primeiro ciclo e o fim do segundo. Alguns valores do Ciclo 1 são projeções, então a ordem deve ser interpretada como aproximada. A posição da Kinkan no vaso Air-Irado é especialmente incerta por causa das ressalvas nas leituras.
O que os resultados mostram?
O resultado mais claro e repetido foi o da Acerola, cujo sistema esgotou em torno de nove dias nos dois ciclos:
- Ciclo 1: 9 dias e 4 horas;
- Ciclo 2: 8 dias, 23 horas e 15 minutos.
A Kinkan no vaso comercial ficou próxima de 16 dias em cada ciclo. Já o Ficus salicaria, o Ficus microcarpa e a Bougainvillea Pink ficaram, em geral, na faixa intermediária de aproximadamente 14 a 16 dias.
A comparação entre ciclos sugere resultados próximos para várias plantas, mas não permite afirmar que o padrão foi perfeito ou que o experimento estabeleceu uma taxa fixa de consumo por espécie. O Ciclo 1 combina tempos registrados e estimativas proporcionais; no Ciclo 2, os registros foram feitos em intervalos, então o esgotamento pode ter ocorrido entre as observações.
Conclusão
Nas condições deste experimento, os sistemas das plantas levaram tempos diferentes para esgotar 1 litro de água. A Acerola foi a mais rápida, chegando ao esgotamento em torno de nove dias em ambos os ciclos. A Kinkan no vaso comercial foi a mais lenta, com resultados próximos de 16 dias por ciclo.
A soma dos tempos dos dois testes ajuda a comparar a autonomia observada de cada sistema, mas não transforma os resultados em uma regra universal de rega. Clima, vaso, substrato, tamanho da planta e condições do ambiente podem alterar o tempo. Além disso, o tempo até o sistema ficar sem água não mede exclusivamente quanto a planta absorveu.
Para a rotina do viveiro, esses números servem como uma referência de observação: a Acerola merece atenção mais frequente, enquanto a Kinkan no vaso comercial apresentou maior intervalo até o esgotamento. Ainda assim, acompanhar cada planta e a umidade do sistema continua sendo essencial.
